domingo, outubro 07, 2012

Extra, extra!




Nessas eleições fica decretada uma epidemia! Ainda sem nome, mas um pouco parecido com o Mal de Alzheimer - doença degenerativa, ainda sem cura, mas com tratamento.

A demência política atingiu maioria dos votos. É preocupante visto que os estudos dizem que a prevalência aumenta com os anos. O primeiro sintoma da doença é a perda da memória, que às vezes é confundido com os problemas da idade ou do stress. Outro sintoma é a confusão mental, não se sabe mais que candidato está com quem e não se consegue entender o que está por trás das alianças. Ainda somam-se aos sintomas: irritabilidade, agressividade, alterações de humor e falhas na linguagem. Mais preocupante ainda é o desligamento da realidade, parece que as pessoas se enclausuram e fecham em seus grupos, não dialogando as propostas nem abrindo espaço para o novo.

Fechado os quatro ciclos, no último, o cidadão com demência política fica completamente dependente das pessoas que tomam conta dele. Nesse caso, perde a capacidade de escolher o que é melhor pra si e para os demais, segue cego, sem crítica e apático a qualquer reação de mudança. Não consegue acreditar na transformação social, não consegue se enxergar enquanto sujeito político.

Dizem que os estudos sobre prevenção ou atraso dos efeitos desse mal são infrutíferos. No entanto, os mesmos estudos apontam que existe relação entre o cuidado na alimentação e atividades intelectuais. O exercício da leitura, os conhecimentos de outras realidades podem retardar a demência política. Outra sugestão, essa mais pessoal, é a leitura do livro de Betinho “Como se faz análise de conjuntura”, saber discordar e como discordar é importante, quando se tem fundamentação e não só por apatia ou por gostar de balançar a cabeça.

Outra forma de tratamento é espalhar esperança, contagiar com alegria para quebrar as individualidades. Esse tipo de Alzheimer é um fenômeno da democracia representativa no modo de produção capitalista, sob égide do modelo neoliberal. O que muitos chamam de pós-modernidade nada mais é que o aprofundamento das relações nesse modo de produção.

Expressões da questão social como aumento da pobreza, precarização das relações de trabalho e desemprego estrutural são determinantes para o aumento do índice de demência política. Os cidadãos ficam acorrentados ao sistema e trocam o voto por um emprego ou cesta básica, o que dá no mesmo. É jogada no lixo a oportunidade de mudança, mas como disse ainda no século XIX o francês Joseph-Marie Maistre: "Cada povo tem o governo que merece". Assim sendo: povo demente, governo demente.

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